O Rio de Janeiro se tornou lar para 104 venezuelanos e 88 colombianos no ano passado. O estado se tornou o primeiro em número de residências prévias e fixas concedidas aos imigrantes desses dois países para fins de trabalho.
Dos 104 venezuelanos, 95 são de residência prévia e nove de fixação. A residência prévia é autorizada pelo Ministério do Trabalho para fins de obtenção de visto temporário para trabalho junto ao consulado. A emissão do visto é posterior à autorização de residência prévia e é realizada pelo consulado.
Além dos imigrantes da Venezuela, os colombianos também prefira a Cidade Maravilhosa. Foram 88 residências concedidas pelo governo brasileiro a eles, sendo 53 de residência prévia e 35 de residência fixa.
No total, 377 colombianos e venezuelanos receberam residência no Brasil em 2022. No ano anterior foram 335. O levantamento foi feito pela CNN com base nos números do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), do Ministério da Justiça.
Atrás do Rio de Janeiro é São Paulo como o estado mais procurado pelos imigrantes da Colômbia. Foram 86 colombianos que conseguiram residência, sendo 78 anteriores e oito fixas no ano passado.
Os venezuelanos estão em segundo. Foram 33 autorizações para morar e trabalhar em São Paulo, sendo 27 residências prévias e seis fixas.
Dados de 2021
No ano anterior, os números foram semelhantes: 112 venezuelanos procuraram o Rio de Janeiro para residência prévia e 20 para residência fixa, um total de 132 imigrantes da Venezuela que estavam morando no estado.
No mesmo período, foram 78 colombianos, sendo 64 residências prévias e 14 fixas.
Em São Paulo, foram 47 colombianos por residência anterior e oito fixas. De venezuelanos, foram 17 de residência fixa e 11 de prévias.
Por que o Rio
“O que mais gosto no Rio são as pessoas. Sempre me abriram as portas, me receberam bem. O Rio te abraça igual ao Cristo Redentor. Com coração aberto. E desde o primeiro momento que cheguei aqui foi nascido. Eu vim com pouca roupa e me ajudaram com roupas, desodorantes etc. As pessoas são muito humanas aqui”, conta à CNN o venezuelano Frank Olmos, 33 anos.
O refugiado, que agora tem residência fixa na Cidade Maravilhosa, conheceu o Rio pela primeira vez em 2013, durante os Jogos Mundiais da Juventude. Segundo ele, “sempre quis voltar”. E voltou, em 2016, como voluntário para os Jogos Olímpicos, mas diz que não foi fácil e recebeu ajuda dos cariocas.
“Em 2016, tive a oportunidade de voltar como voluntário, aí entrei em contato com algumas pessoas que me ajudaram na época da jornada mundial, que fizeram vaquinha para mim e ganhari hospedagem na casa de uma família que eu não precisava”, detalha.
Olmos conta sobre a situação da Venezuela na época em que decidiu abandonar o país. “A partir dessa família que recebi durante os jogos, eu já tinha uma mentalidade de ficar aqui. Em 2016 muitas coisas já estavam na Venezuela, e infelizmente eu não pude me manter por muito tempo lá. Eu era professor de ensino médio. Então decida viver uma nova vida no Rio”, relembrou.
No Rio, Frank Olmos era supervisor em uma empresa de turismo esta semana, mas foi até demitido. “Foi uma experiência incrível por três anos. Já fiz marketing como interno, agora estou terminando outra faculdade. É algo muito bom para um refugiado conhecido pelo país.”
E o venezuelano não está só, como mostram os números. “Tenho amigos da Venezuela aqui. Meu irmão mora aqui também. Há um grupo em que se fala todos aqui. A gente mantém contato sempre. O Brasil é um país que me recebeu de braços abertos desde quando fui voluntário”.
Veja os números
Residências em 2022
- Venezuelanos no Rio de Janeiro: 104 (95 prévias, e nove fixas)
- Colombianos no Rio de Janeiro: 88 (53 prévias e 35 fixas)
- Colombianos em São Paulo: 86 (78 prévias e oito fixas)
- Venezuelanos em São Paulo: 33 (27 prévias e seis fixas)
Residências em 2021
- Venezuelanos no Rio de Janeiro: 132 (112 prévios e 20 fixos)
- Colombianos no Rio de Janeiro: 78 (64 prévias e 14 fixas)
- Colombianos em São Paulo: 55 (47 prévias e oito fixas)
- Venezuelanos em São Paulo: 28 (17 fixas e 11 de prévias)
(Fonte: OBMigra/MJSP)
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