Retração ou reaceleração? Por Investing.com

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Por Daniel Shvartsman

O setor da tecnologia liderou o mercado durante grande parte da última década, e o ambiente da pandemia só acelerou essa tendência. 2021, entretanto, pôs uma pequena trava nesse padrão. No fechamento do mercado em 28 de dezembro, a (23,2%) ficou atrás do índice (29,2%) e estava ligeiramente à frente do Industrial Average (21,1%) com base no retorno total no ano. A Nasdaq irá terminar confortavelmente na faixa de retorno de dois dígitos, com o rali de fim de ano empurrando-o ara além da marca dos 20%, mas que ainda representa uma queda em relação aos 45% de retorno total em 2020, mais do dobro dos outras grandes índices. Abaixo da superfície, a atividade no setor de tecnologia tem sido muito mais volátil, já que a especulação do início do ano em torno de SPACs e empresas de capital recém-aberto deram lugar à venda dos “vencedores da pandemia”, já que seu crescimento futuro apresenta muito nevoeiro.

Como o período de fim de ano deixou claro, estamos entrando num ambiente diferente, de inflação e possíveis aumentos dos juros, por um lado, e de reviravoltas contínuas relacionadas à pandemia, por outro, incluindo até a possibilidade de que (espera-se) ela tenha finalmente desaparecido e se transformado em uma questão de fundo. Os efeitos imediatos e secundários sobre a tecnologia, desde os gastos dos consumidores até os gargalos na cadeia de fornecimento e a adoção contínua de software, serão difíceis de se evitar, mas também difíceis de prever.

Aqui estão cinco coisas para se observar no setor de tecnologia em 2022. Todos os números se referem ao fechamento do mercado em 28 de dezembro.

1. Os semicondutores já não são cíclicos?

Se 2020 viu os players de software liderarem o setor, 2021 tem sido só sobre os semicondutores. A NVIDIA Corporation (NASDAQ:) (SA:) mais do que dobrou, tornando-se a fabricante de semicondutores mais valorizada do mundo, enquanto o iShares Semicondutor ETF aumentou 45% durante o ano. Os desafios para a cadeia de fornecimento, projetada para eficiência máxima em vez de redundância, causaram gargalos na produção de telefones, automóveis e de praticamente tudo que utiliza um chip.

A procura elevada – impulsionada pelo aumento da eletronificação dos carros, a Internet das Coisas, a inteligência artificial, dispositivos computacionais e a energia em geral – combinada com as limitações da oferta sugerem que o boom pode continuar. “As tendências seculares de longo prazo estão impulsionando os mercados de fabricação de semicondutores e wafers estruturalmente para cima”,  explica Gary Dickerson, CEO da Applied Materials’, fornecedora líder de equipamento de semicondutores . Os semicondutores tem sido notoriamente cíclicos no passado, de modo que a questão é saber se o aumento da capacidade leva a um ambiente de sobreprodução ou se é apenas suficiente para acompanhar a demanda; neste último caso, os semicondutores podem continuar crescendo.

2. A desaceleração do software – uma novo normal?

Os players de software estiveram entre os mais afetados em 2021, pois as enormes taxas de crescimento alimentadas ela pandemias que registraram há um ano não puderam ser sustentadas. O Zoom  (NASDAQ:)  (SA:) manteve a aposta este ano, mas o lento crescimento de faturamento foi uma previsão de um futuro menos emocionante, e a ação caiu 45% durante o ano e 59% em relação a suas máximas. Esse é apenas o exemplo da manchete e, embora haja ações que evitaram a tendência, muitos dos melhores desempenhos do setor de software são nomes de SaaS 1.0 como Oracle  ou Teradata.

2022 e as perspetivas para 2023 devem dar aos investidores clareza sobre se um novo normal implicará uma aceleração do crescimento, ou se é preciso redefinir as expectativas após os tempos de expansão do início da pandemia. No contexto de taxas de juros mais elevadas e talvez de um foco renovado na rentabilidade, a pressão sobre o setor só pode aumentar.

3. Para onde vai a economia de atenção?

As redes sociais foram outro setor a enfrentar desafios em 2021, e várias novas redes caíram ao longo do ano. Pinterest Inc (NYSE:)  e Roku (NASDAQ:) (SA:) exemplificaram o pullback nestas duas indústrias com queda de mais de 30% no ano e mais de 50% em relação às suas máximas, mas os problemas se espalharam de forma mais ampla e incluíram nomes como Spotify (NYSE:), Twitter  (NYSE:)  (SA:) e até mesmo Snap (NYSE:).

Ao mesmo tempo, as tendências seculares de longo prazo – a transição dos dólares de publicidade e de assinatura de conteúdo para o online – permanecem sem mudanças. Movimentos como a cisão da Warner Media por parte da AT&T (NYSE:)  (SA:) para fusão com a Discovery  sugerem a importância da escala na indústria da mídia, e o anúncio do interesse (não consumado) do PayPal Holdings (NASDAQ:)  (SA:)  pelo Pinterest (NYSE:) é apenas um exemplo da possível consolidação/valor estratégico em empresas que capturam a atenção dos consumidores. Portanto, a questão é aonde vai a atenção dos usuários e quais investidores se beneficiam disso.

4. O domínio continuado das FAANMG

O desempenho do mercado como um todo dependia das maiores companhias do mundo abrindo os caminhos. Alphabet (NASDAQ:)  (SA:) e Microsoft Corporation (NASDAQ:)  (SA:)  ficaram à frente do grupo, mas Apple (NASDAQ:)  (SA:), Meta Platforms  (antes conhecida como Facebook (NASDAQ:) (SA:), Netflix  (NASDAQ:) (SA:)  e Amazon.com Inc (NASDAQ:) (SA:) terminaram todas este ano no verde, sendo as duas últimas as únicas a ficar atrás dos índices mais amplos. Elas ignoraram investigações antitruste e os desafios do grande porte e continuaram registrando números impressionantes de crescimento de lucros e receitas, e no geral tiveram um desempenho superior ao de seus setores. E, apesar de tudo isso, há um argumento pelo menos em alguns casos de que o valuation não está louco, seja ele o múltiplo de EV/fluxo de caixa livre de 25 x da Meta ou múltiplo de 27,75 x da Alphabet. À medida que os nomes mais sensíveis aos juros forem atingidos, as FAANMG estarão mo radar como o plano de rota de fuga.

5. A retomada das M&A

Um ambiente em mudança e desaceleração pode ser o estímulo para um aumento das aquisições no setor da tecnologia. Enquanto em 2020, a Salesforce (NYSE:)  (SA:) adquiriu a Slack e a AMD  comprou a Xilinx Inc (NASDAQ:) (SA:), 2021 foi mais lento. A Microsoft (NASDAQ:) comprou a Nuance Communications Inc (NASDAQ:)  e vários acordos relacionados a data centers foram aprovados, mas a atividade de M&A do setor de tecnologica em 2021 teve mais a ver com negócios que não aconteceram: O Zoom abandonou sua oferta pela Five9 Inc (NASDAQ:) , as negociações entre Pinterest e Paypal não se concretizaram e, de maneira mais notória, o escrutínio continuado sobre o plano da Nvidia de adquirir a Arm Holdings.

Embora as preocupações antitruste possam travar os hábitos de compra de alguns dos gigantes, um crescimento mais lento e um ambiente ainda com taxas baixas podem conduzir a uma retomada da atividade de M&A. Isto poderia vir em setores com farta concorrência, como software ou mídia, em especial. Com notícias nas últimas semanas de 2021 sobre a compra da Cerner pela Oracle (NYSE:), pode ter sido dado o tiro de partida para as M&As no setor de tecnologia em 2022.

 

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