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“Meu irmão estava vivo embaixo do carro”, diz irmã de jovem atropelado

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As irmãs do vendedor ambulante Matheus Campos, 21, estavam no enterro do caçula, quando receberam imagens que circulam nas redes sociais e mostram o rapaz embaixo de um carro, atropelado, mas vivo, tentando sair. No vídeo, obtido pela CNN, é possível ouvir uma pessoa falando a Matheus, “E aí, comédia. Tu vai roubar trabalhador, vai roubar trabalhador, seu cuzão? Não? Não vai sair daí não. Chama a Polícia. Só vai sair com a Polícia. Chama não”.

No vídeo, é possível ver Matheus balançando a cabeça e o dedo, fazendo sinal de negativo. De acordo com uma das irmãs de Matheus, Paloma Campos, a voz seria do próprio atropelador, Christopher Rodrigues, que segundo ela, teria compartilhado o vídeo em um grupo de motoristas de aplicativo.

O atropelamento aconteceu na última terça-feira (24), no centro de São Paulo. Matheus foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e chegou à Santa Casa de Misericórdia sem vida.

Após conversar com policiais que investigam o caso no 5º Distrito Policial, na tarde desta quarta-feira (3), Paloma e sua irmã, Talyta Campos contaram que a família busca a prisão do atropelador. “Meu irmão estava vivo embaixo do carro (…) Ele estava pedindo socorro. ele [Christopher] socorro socorro. Ele se recusou a socorrer meu irmão, se recusou e não deixou ninguém em volta socorrer meu irmão”.

Em seu depoimento à Polícia Civil, Christopher Rodrigues disse que o atropelamento foi acidental e que no momento em que saiu do veículo, observou que uma pessoa disse que Matheus teria supostamente inventado o furto de um celular. A investigação apura se o atropelamento foi acidental ou proposital.

Caso a Polícia entenda que Christopher atropelou Matheus propositalmente, o motorista pode ser acusado de homicídio doloroso, quando há intenção de matar. Os pesquisadores também avaliam se Christopher pode ser criminalizado por ter debochado de Matheus, na situação em que o vendedor se encontrou.

O delegado titular do 5º DP, Percival Alcântara, afirmou que o caso ainda está sendo apurado, mas reforçou a tese de que um crime não pode compensar outro. “Mesmo que ele [Matheus] ter furtado e estar fugindo, isso não dá o direito de ninguém fazer justiça com as próprias mãos. Ninguém pode chegar e atropelar uma pessoa, matar uma pessoa, porque ela teria furtado um celular e neste momento estaria em fuga. Não há esse permissivo legal na nossa legislação. Não é um caso típico de legítima defesa de terceiro”.

Os investigadores responsáveis ​​pelo caso ouviram, nesta quarta-feira (3), depoimentos de dois policiais que atenderam a ocorrência e fingiram escutar, na quinta-feira (4), o relato do motorista que diz ter sido roubado, logo antes do atropelamento.

O objetivo é esclarecer se o motorista reconhece Matheus como a pessoa que furtou seu aparelho celular. “O furto ocorreu, essa primeira vítima foi furtada, o indivíduo que possivelmente é esse indivíduo que faleceu, colocou o corpo para dentro do veículo e saiu correndo (…) Nós vamos novamente fazer a oitiva da vítima do furto, para que ela faça o possível reconhecimento da vítima que faleceu”.

Em outras frentes, a Polícia também busca por mais depoimentos de testemunhas e imagens de segurança no Viaduto Júlio de Mesquita Filho, onde aconteceu o atropelamento. Além disso, os aguardam entender quem pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros e se Christopher impediu, de alguma maneira, que o socorro acontecesse.

O caso foi registrado inicialmente como “furto e morte suspeita/acidental”, mas o delegado titular do caso afirma que a tipificação deve mudar no relatório final. “No boletim de ocorrência foi colocada a suspeita de morte para que justamente o inquérito policial, para que a polícia pudesse investigar justamente se foi um homicídio culposo ou doloroso. Por isso a morte suspeita (…) isso não impede a supervivência de outros crimes, pelo fato das postagens do investigado. Dos vídeos que ele colocou nas mídias sociais. Então estamos avaliando todas as características”, disse o delegado.

Após o atropelamento, o motorista registrou um vídeo postado em suas redes sociais, no qual aparece debochando da situação. Sem demonstrar arrependimento, Christopher Rodrigues disse, entre outras coisas, “menos um fazendo o L”, uma alusão ao símbolo dos herdeiros do presidente Lula, durante as eleições presidenciais. O motorista também deu a entender que a vítima iria para o inferno.

Os assistentes de defesa de Matheus querem a prisão preventiva de Christopher, além de que o caso seja tipificado como homicídio doloso. A defesa entende que o motorista pode ter contra ele outras manifestações, como omissão de socorro, pelo fato de Christopher não ter socorrido imediatamente o vendedor ambulante.

A irmã, Paloma, conto que Matheus nunca tinha sido preso e defendido que mesmo se ele tivesse cometido um delito, deveria ter sido tratado de maneira justa. “Se ele falou que meu irmão cometeu um crime, meu irmão ia pagar pelo que ele fez. Eu acho que o que ele [Christopher] fez foi horrível e ele tem que pagar. Justiça com as próprias mãos não resolve nada, porque infelizmente meu irmão tá morto. Não tem como se defender, infelizmente (…) A gente agora pede justiça, que ele [Christopher] seja preso. Ele precisa ser preso, porque ele cometeu um crime. Ele matou meu irmão. Então ele precisa ser preso”.

Banido de aplicativos de carona

O motorista que atropelou e matou o vendedor ambulante foi banido das empresas de carona por aplicativo, Uber e 99Táxi.

Por meio de nota, o Uber informou que o motorista teve sua conta desativada da plataforma após o episódio. Ainda segundo a companhia, pelas informações inspiradas até o momento, ele não estava acompanhando as viagens quando o incidente aconteceu. A empresa ainda afirmou que permanece à disposição dos órgãos de segurança para colaborar com o pensamento, na forma da lei. O caso aconteceu na região central de São Paulo.

Já a 99Táxi entendeu que “o fato não ocorreu durante uma corrida. A empresa ressalta que repudia veementemente e tem uma política de tolerância zero a qualquer forma de violência. Dessa forma, o perfil do condutor foi permanentemente bloqueado”.

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