JBS volta às compras e adquire empresa de ‘plant-based’ na Europa por 341 mi euros Por Reuters

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© Reuters. Logotipo da JBS visto em unidade da companhia na cidade de Jundiaí (SP)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – A JBS (SA:), maior produtora de carnes do mundo, voltou às compras, mas dessa vez para adquirir uma companhia de proteínas vegetais, a europeia Vivera, por 341 milhões de euros, de olho no forte crescimento do mercado vegetariano, conforme fato relevante divulgado nesta segunda-feira.

Com um portfólio de 50 produtos, a Vivera tem três unidades fabris na Holanda, além de um centro de pesquisa e desenvolvimento no mesmo país, para atender um segmento que cresce cerca de 20% ao ano na Europa, especialmente entre holandeses, alemães e ingleses, que respondem por 60% do mercado de “plant-based” europeu.

Segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a Vivera dará “musculatura” em “plant-based” para a companhia, que ainda tem um negócio relativamente pequeno nesse segmento. Conta com a empresa Planterra, nos EUA, que comercializa a marca OZO, além da linha Incrível, da brasileira Seara, que detém liderança nacional em hambúrgueres vegetais.

“É um segmento que cresce globalmente… Seremos um ‘player’ relevante nesse setor, a aquisição faz sentido estratégico, acelera muito a nossa estratégia no segmento de ‘plant-based'”, disse Tomazoni à Reuters.

“O segmento de ‘plant-based’ na JBS é pequeno, mas o importante é que ele tem altas taxas de crescimento”, acrescentou o CEO, sem citar números.

Enquanto a Vivera fatura cerca de 100 milhões de dólares ao ano, configurando-se na terceira maior empresa de “plant-based” da Europa, disse o CEO, a receita líquida consolidada da JBS foi de 270 bilhões de reais em 2020, com a maior parte sendo originária do Hemisfério Norte.

“É importante… a Vivera está em 25 países na Europa”, destacou Tomazoni, salientando que a JBS também está comprando a tecnologia da companhia europeia, que poderá ser compartilhada com o grupo no futuro, após a aprovação do negócio pelas autoridades reguladoras.

O executivo disse ainda que a Vivera tem crescido nos últimos anos entre 25% a 30% ao ano, também graças a um time de administração competente.

“Além do tamanho do negócio, contou muito para nós a qualidade do time de gestão, um time com muita experiência, passagem por grandes empresas, e que fez um trabalho extraordinário de reposicionamento e crescimento da marca Vivera nos últimos anos”, destacou.

Ele ressaltou que produtos como os da Vivera, que têm entre as principais matérias-primas as proteínas de e de ervilha, além de cogumelos e beterraba, contam com uma “aceitação grande junto a uma nova geração de consumidores” e também deverão ajudar o mundo a alimentar sua população crescente.

A JBS disse em comunicado que, para fomentar “o espírito empreendedor” da Vivera, vai manter a empresa como uma unidade de negócios autônoma, mantendo sua atual liderança.

“Juntar forças com a JBS nos dá acesso a recursos significativos e capacidades para acelerar nossa atual trajetória de forte crescimento”, disse o CEO da Vivera, Willem van Weede, conforme nota da JBS.

SENTIDO ESTRATÉGICO

A última aquisição de peso da JBS envolveu a norte-americana Empire Packing, por 238 milhões de dólares, confirmou Tomazoni ao ser questionado sobre a compra da companhia que tem a marca Ledbetter, de cortes de bovinos, suínos e produtos processados, anunciada em fevereiro do ano passado.

Segundo ele, a JBS está sempre em busca de oportunidades.

“Temos olhar muito ativo no mercado M&As, mas tem que fazer sentido estratégico e estar no preço certo”, comentou ele, ecoando a lógica da aquisição da Vivera.

Questionado, ele repetiu que a listagem de unidade da JBS nos Estados Unidos deverá ocorrer e que é apenas uma questão de “quando”, e não “se”.

Mas evitou dar detalhes. “Vai sair… Estamos avaliando qual é o melhor modelo que traga maior valor ao acionista.”

(Por Roberto Samora; edição de Luciano Costa)

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