Fisgando Cérebros: Indústria de criptomoedas está caçando executivos na Wall Street.

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Wall Street perdeu alguns de seus principais talentos para a indústria de criptomoedas. Mas o que isso significa para os dois setores?

A indústria de criptomoedas expandiu-se exponencialmente nos últimos dois anos. Centenas de milhares de novos investidores aderiram ao espaço, incluindo muitos que nunca teriam tido acesso a formas mais tradicionais de investimento.

Com essa nova classe de investidores, surgiu uma necessidade crescente de infraestrutura digital. Em apenas alguns anos, comprar e negociar criptomoedas exigia habilidades de programação de linha de comando. Agora, a maioria das pessoas podem comprar as criptomoedas mais populares com um número crescente de aplicativos fáceis de usar.

O potencial das criptomoedas e da tecnologia Blockchain também atraiu várias instituições financeiras de grande escala para o espaço. O JPMorgan Chase, o Bank of America, o Goldman Sachs, alguns bancos brasileiros e muitos outros, pelo menos experimentaram sistemas de pagamento baseados em Blockchain e outros produtos.

As criptomoedas ainda não foram adotadas pelas instituições de Wall Street. Mas a esfera Blockchain em si, sistema ao qual garante a imutabilidade das transações, já fisgou alguns talentos de Wall Street.

“Eu não vi um futuro nas finanças tradicionais”.

O ex-vice-presidente do Goldman Sachs, Chris Matta, ganhou as manchetes em Maio, quando decidiu junto com outros dois colegas, migrar para a criptosfera. Os três formaram a crescente ‘Crypto Asset Management’.

“É seguro dizer que você deixa uma boa quantia de dinheiro na mesa se afastando do Goldman. Mas eu vi isso como um risco calculado”, disse Matta na época. “Eles ligaram para o CEO da minha organização e ele disse basicamente: ‘Você está louco? Você percebe o risco que você está tomando aqui? Você está desistindo do seu bônus!’”

No entanto, Matta é apenas um entre um número crescente de ex-executivos da Wall Street que pularam do navio para o setor de Blockchain. Asim Ahmad deixou o BlackRock quando seu portfólio da Ethereum disparou; Yuzo Kano, aluna da Goldman Sachs, “transformou a BitFlyer Inc. na maior bolsa Bitcoin do Japão”, segundo a Bloomberg.

Kano foi identificado como um dos “caçadores” mais importantes na indústria de criptomoedas. Em Maio, a Bloomberg informou que Kano conquistou talentos do Credit Suisse Group AG e do Barclays Plc. Um dos recrutas de Kano, o ex-operador do Barclays, Daisuke Murayama, aceitou um pagamento para se juntar à BitFlyer em Maio. “Eu simplesmente não via um futuro nas finanças tradicionais”, disse ele à Bloomberg.

O trabalho na indústria das criptmoedas é um “caminho de carreira cada vez mais credível”.

Murayama não é o único que viu o Blockchain e as cryptos como um caminho mais viável para o futuro das finanças. “Como ex-profissional da Wall Street, sinto que posso falar da melhor maneira com essa experiência”, disse Ryan Taylor, CEO da Dash Core, a Finance Magnates. “Antes da Dash, trabalhei como analista de fundos de hedge(fundos com foco de proteção de capital) e antes disso, como sócio associado do escritório de tecnologia de negócios da McKinsey & Company em Nova York”.

“Tomei a decisão de fazer uma mudança de carreira porque apreciei o enorme potencial da tecnologia Blockchain e do setor de pagamentos com criptomoedas”, explicou ele. “Embora na época em que fiz a transição, era considerado louco por  sair da Wall Street para trabalhar com uma criptomoeda, eu diria que hoje a maioria de meus ex-colegas agora vê as criptomoedas como uma carreira profissional cada vez mais confiável”.

Stani Kulechov, CEO da ETHLend, ecoou os sentimentos de Taylor em um email para a Finance Magnates, comentando sobre a conferência de Consenso da CoinDesk que ocorreu em Nova York no início deste ano. “Passou de um evento de 400 entusiastas da criptografia (em anos passados), para um evento que consistia de 8.500 investidores em todo o mundo, instituições financeiras, líderes tecnológicos empresariais, startups líderes do setor e grupos acadêmicos. Os caras técnicos da camiseta foram superados em número pelos caras de terno”, explicou ele.

Geração “Y” passam por cima de Wall Street e dirigem-se para o ramo das criptomoedas.

A mudança de talentos de Wall Street para a esfera das criptomoedas também poderia significar uma mudança cultural. A retórica política nos dois lados do corredor nos Estados Unidos ao longo das últimas décadas tem cada vez mais pintado Wall Street como os “bandidos” do sistema financeiro americano; os colecionadores de riqueza da nação, os “1%”, os guardiões de um status sórdido.

Um Protestor Ocupar Wall Street segurando uma placa que diz "Eu sou o 99%".

As mensagens inspiradoras do empoderamento financeiro através da descentralização e da retirada do poder dos grandes bancos, atraíram indivíduos de uma variedade de posições políticas e sociais para o espaço criptográfico. Antes da criptomoeda ser “mainstream”, era um queridinho libertário. Mas como as criptomoedas se tornaram um fenômeno financeiro e pop-cultural, ela atraiu cada vez mais um novo grupo: a geração do milênio.

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