10 anos após a união, o G20 se reúne novamente, porem “enfraquecida”.

G20 se reúne para discutir sobre a guerra comercial globalizada.

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Há exatamente dez anos o G20 reuniu os principais líderes mundiais em Washington, capital americana, para coordenar uma reação à crise financeira global. Foi o primeiro encontro em que o G20 – grupo que reúne 19 grandes economias mais a União Europeia – passou de um fórum de ministros de finanças, para um encontro de chefes de Estado e governo.

G20 se reúne para combater a Guerra comercial.

Dessa vez, o tema mais urgente na mesa de discussão do G20 é a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo – Estados Unidos e China. O encontro bilateral previsto entre os presidentes dos dois países, Trump e Xi Jinping, tende a ofuscar a cúpula em si, embora haja pouca esperança de que trará uma solução para o aumento de barreiras comerciais.

O americano – que teve como um de seus slogans de campanha, “América Primeiro” (“America First”) -, desde Julho tem elevado impostos sobre importações chinesas, acusando o país asiático de adotar práticas comerciais ilegais e passar por cima dos mecanismos de litígio da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA já aplicaram tarifas sobre US $ 250 bilhões em produtos chineses e ameaçaram taxar outros US $ 267 bilhões. A China, por sua vez, fixou tarifas sobre bens americanos no valor total de US $ 110 bilhões.

A necessidade de reforma da OMC.

Também estará no foco do G20 a necessidade de reforma da OMC. Os Estados Unidos têm bloqueado a nomeação de novos juízes para o órgão de apelação, espécie de corte suprema dos conflitos comerciais e ameaça deixar a organização.

“A situação do G20 hoje é muito mais precária. Trump representa uma visão internacional que enfatiza a competição”, ressalta o professor de Relações Internacionais da FGV, Matias Spektor, ao analisar a última década.

“Não está claro qual será a atuação do Brasil no grupo sob a liderança de Bolsonaro caso ocorra uma nova crise econômica mundial em decorrência da guerra comercial: se vai se alinhar totalmente aos Estados Unidos ou adotar uma posição mais pragmática”.

Climão entre líderes do G20.

Spektor ressalta, porém, que o problema não está localizado apenas nos Estados Unidos e a crescente tensão com a China. O Reino Unido, cujo então primeiro-ministro Gordon Brown teve papel fundamental na inclusão dos países emergentes na mesa de discussão da crise financeira em 2008 e 2009, hoje está enfraquecido sob a liderança de Theresa May por causa da implementação do plano de saída da União Européia, o Brexit, aprovado em 2016.

A Alemanha também perde capacidade de liderança diante da expectativa de troca de comando – Angela Merkel, chanceler alemã desde 2005, anunciou que não tentará a reeleição em 2021, depois que seu partido teve desempenho fraco em pleitos regionais. É possível que ela deixe o comando do país ainda antes.

Existem ainda outros focos de tensão que devem estremecer o clima em Buenos Aires. Há expectativa de um encontro entre Trump e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, líder rechaçado por outras potencias ocidentais após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi dentro de um edifício diplomático saudita na Turquia.

Fonte boainformacao
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