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Entenda os detalhes da maior crise enfrentada pelo PCC

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Uma das maiores facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), enfrenta uma “racha” em sua cúpulatambém conhecida como a “sintonia final”, segunda avaliação do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, de Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Desde 2006, o promotor, que integra o grupo que faz parte do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), se dedica aos processos que investigam o PCC e destaca o momento inédito vivido pela facção.

Segundo Gakya, a origem da divisão na facção aconteceu após um “salve”, que partiu dos líderes Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka – excluindo e decretando a morte de Marco Willians Herbas Camacho, 56, o Marcola , apontou como o líder máximo da facção paulista, por traição, má conduta e “caguetagem”.

A ordem para matar o homem que é apontado como líder máximo da facção, que tem penas que ultrapassaram mais de 500 anos de prisão, teria contado com a participação de outro criminoso da cúpula da facção, Wanderson de Paula Lima, o Andinho.

Para o decreto, os criminosos se basearam numa conversa entre Marcola e um advogado, que foi vazada e usada no júri de Roberto Soriano, o Tiriça. No diálogo, Marcola teria chamado o então aliado de psicopata pelo envolvimento na morte de uma psicóloga.

O mesmo áudio foi analisado pela cúpula da facção, onde fora constatado que Marcola não fez nada de errado, na avaliação de outros membros do PCC.

Depois de ser “absolvido”, Marcola teria laços românticos de amizade e confiança com os líderes, que foram excluídos, ou que teria dado início a uma nova disputa pelo comando da facção.

Segundo o promotor, na última quinta (15), outro “salve”, este assinado por Marcola, chegou ao sistema prisional paulista e às ruas, decretando a expulsão e morte dos três, por cometerem calúnia e traição contra Marcola.

Tiriça e a morte do agente penitenciário

Tiriça, que foi chamada de “psicopata” por Marcola, por ordenar a morte da agente federal Melissa de Almeida Araújo, que tinha 37 anos, e atuava desde 2009 como psicóloga do presídio federal de Catanduvas – PR.

Melissa era responsável por fazer o acompanhamento psicológico dos presos de Catanduvas. Ela teve uma rotina monitorada, por pelo menos 40 dias, e foi morta por ser considerada um alvo de “fácil alcance”, segundo as investigações.

Conforme a Polícia Federal, o assassinato foi uma vingança, e uma forma de intimidar o trabalho de agentes federais dentro do Sistema Prisional Federal.

Em 25 de maio de 2017, por volta das 17h, ela foi morta enquanto acionava o botão da garagem de sua casa, em Cascavel, a 55 quilômetros da penitenciária de Catanduvas. Dois homens armados com pistolas calibre 9 milímetros dispararam contra ela.

O marido de Melissa, o policial civil Rogério Ferrarezzi, sacou sua arma e revidou os tiros. Ele foi atingido pelo menos oito vezes. Uma psicóloga saiu do carro e correu para dentro de casa, mas os assassinos conseguiram chegar-la. Na sequência, ela foi morta com dois tiros no rosto.

Um dos atiradores morreu durante o tiroteio com o policial. Outro, saiu ferido, conseguiu escapar, mas foi morto horas depois em outro tiroteio com a polícia. Logo após o atentado, uma operação envolveu várias forças policiais fechadas nas saídas da cidade e conseguiu prender quatro envolvidos no crime.

Seis anos depois, em 2023, Tiriça foi condenado pela Justiça Federal a 31 anos e seis meses de prisão.

O tribunal que condenou Tiriça foi formado pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

Conflitos e mortes dentro da facção

Em 2012, Marcos Paulo Nunes da Silva, o Baianinho Vietnã, preso à época na P2 de Presidente Venceslau, no interior paulista, foi acusado de tomar um ponto de venda de drogas e mandar matar o antigo chefe do tráfico sem autorização do PCC.

Baianinho, foi julgado pela sintonia final, acabou excluído da facção e teve a morte decretada.

Segundo Gakiya, Marcola especificamente com a exclusão do Vietnã, mas suspendeu a ordem da pena de morte. A decisão do líder do PCC desagradou Edilson Borges Nogueira, o Biroska, que também estava preso no mesmo pavilhão do Vietnã.

Cinco anos mais tarde, uma declaração no livro do procurador de Justiça Márcio Christino diz que a ex-mulher de Marcola, Ana Maria Olivatto, morta em outubro de 2002, era informante do Departamento Estadual de Investigações Criminais, o Deic.

Biroska soube da citação e comentou dentro da P2 que o caso deveria ser investigado.

Em dezembro, ele foi assassinado na quadra do banho de sol, acusado de caluniar Marcola. A morte dele desagradou outros membros, como Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, Fabiano Alves de Souza, o Paca, Daniel Vinícius Canônico, o Cego, Roberto Soriano, o Tiriça, entre outros.

Dois deste, sendo Gegê do Mangue e Paca, foram assassinados a tiros em uma emboscada em uma reserva indígena no município de Aquiraz. O crime teria acontecido a mando de Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, que não é batizado na facção, porém é considerado braço direito de Marcola.

Segundo Gakiya, Gegê e Paca morreram após roubarem a própria facção, em remessas de cocaína que sairiam do porto de Santos, para outros continentes. André de Oliveira Macedo, o André do Rap, também teria participado do desvio da droga no porto.

Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, foi o encarregado da morte dos dois que foram apontados como traidores da facção, pois possuíam uma relação de confiança com Gegê.

No ano seguinte, por vingança após o envolvimento na morte dos dois líderes do PCC, Gegê foi assassinado a tiros de fuzil em frente a um hotel no Jardim Anália Franco, na zona leste de São Paulo.

A retaliação e o “racha” não acabaram ali. Cego, que divulgou um “salve” ordenando matar os envolvidos nas execuções de Gegê e Paca, como Cabelo Duro, encerrado excluído do PCC.

Plano para resgatar Marcola

Também em 2018, o Gaeco anunciou a descoberta de um plano para resgatar Marcola e outros 21 líderes do PCC, que estavam no P2 de Presidente Venceslau e também em Presidente Bernardes, ambos no interior paulista.

Pouco tempo depois, em março de 2019, um pedido de Gakiya, Marcola e os 21 líderes foram transferidos para presídios federais em Brasília e Porto Velho.

O trio, hoje inimigo de Marcola, já havia sido removido há mais tempo.

Tribunal do crime interno

Em 2021, Nadim Georges Hanna Awad Neto, o Nadim, foi sequestrado, julgado e morto pelo “tribunal do crime”, uma espécie de Estado paralelo do PCC. O corpo dele até hoje não foi encontrado.

O promotor Lincoln Gakiya diz Nadim morreu por não levar adiante o plano de resgate de Marcola da penitenciária federal de Porto Velho. Devanir de Lima Moreira, o Deva, teve o mesmo fim.

Na sequência, Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, assumiu a função, mas também falhou. A expulsão e morte dele foram anunciadas pelo Ministério Público, para ordenar a morte de Nadim. mas ele continua foragido.

Logo depois, o MP-SP tornou-se público um “salve” do PCC, onde a organização informou que Tuta não tinha sido assassinado, e sim expulso da organização sob as acusações de “má conduta” e “falta de responsabilidade”.

O “salve” foi divulgado em 26 de abril de 2022, se espalhando pelo sistema prisional paulista. Uma mensagem dizia que “Tuta estava na luta dele em comunicação com a sintonia do PCC, diferentemente do que a mídia estava informando”.

Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, que era da cúpula da facção, também foi expulso, após desvio de dinheiro da organização. Ele só não foi morto, pois estava envolvido no plano de resgate da liderança do PCC.

Substituto de “Tuta”

Pouco antes do “salve” onde foi divulgado o desfile de Tuta, Patrick Velinton Salomão, o Forjado, saiu em liberdade da penitenciária federal de Brasília e passou a ocupar o lugar de Tuta. Hoje, Forjado é o chefe principal do PCC nas ruas e recebe a missão de resgatar líderes da facção dos presídios.

Marcola e a “má condução” dos negócios

Neste ano, Vida Loka e Andinho fizeram as pazes, após trocarem socos e pontapés durante banho de sol em agosto do ano passado, no Complexo da Papuda, em Brasília.

O gesto foi o pontapé inicial para a rebelião contra Marcola. Eles se uniram à “Tiriça” e formaram um trio de inimigos, que pediram a morte de Marcola, alegando má condução dos “negócios do Comando”, além de falta de responsabilidade e por agir por interesses próprios.

Hoje, o trio expulso do Primeiro Comando da Capital e Marcola, seguem custodiados na mesma penitenciária, na capital federal.

Com Marcos Guedes, da CNN. Sob supervisão

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