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das trincheiras e da informação

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Cerca de uma semana antes da invasão do exército russo à Ucrânialíderes de diferentes países da Europa se reuniam com Vladmir Putin na tentativa de reduzir a tensão da presença de tropas russas, na fronteira com a Ucrânia.

O Kremlin manteve a posição de que não planejava uma invasão. Nas ruas de Moscou, a sensação era a mesma.

Eu cobria a visita oficial do então presidente Jair Bolsonaro (PL) ao líder russo e andava perto da Praça Vermelha, quando conheceu Olga. Questionei a russa sobre a possibilidade de invasão.

“Não acredito que vamos invadir a Ucrânia. É informação de países do Oeste, como uma informação para fazer pressão (…) Claro que não queremos a Otan perto das nossas fronteiras, mas não chega a ser uma questão de invadir. Tecnicamente estamos defendendo a nossa população na Ucrânia”, me disse a dona de restaurante.

Cinco dias após minha entrevista com a Olga, a Rússia começou sua investigação contra o país. Putin autorizou o que chama de “operação militar especial”.

Em entrevista exclusiva à CNNo embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Labetskyafirma que desde o início, os planos do Kremlin são claros.

“O primeiro objetivo é garantir a segurança da Federação da Rússia no nosso país e dos nossos povos. O segundo objetivo é ‘desnazificar’ a Ucrânia, onde fez o golpe de estado em fevereiro de 2014. Esse golpe de estado que levou ao poder os seguidores do ultranacionalismo e do fascismo. Desmilitarizar a Ucrânia também é um dos nossos objetivos, porque esse país, graças às atividades hostis, o Ocidente se tornou uma força de ataque contra a Rússia”, afirma o representante de Putin.

Putin considera uma aproximação da Otan a países do leste europeu, após o fim da guerra fria, uma ameaça de segurança nacional.

A CNNo oficial de negócios da embaixada da Ucrânia no Brasil refuta como embaixador do governo russo.

“Temos uma situação que a Ucrânia foi invadida pela Rússia. Por isso a única possibilidade que a gente tem é de se proteger. Se a Ucrânia para de se defender, a Ucrânia vai parar de existir. Se a Rússia parar de conduzir esta guerra, a guerra vai acabar”.

Pára Anatoliy Tkacha Rússia está dando as razões falsas sobre os objetivos e os propósitos dessa guerra.

O embate entre russos e ucranianos não se limita a 2022. Desde a invasão russa à Península da Crimeiaexiste um conflito armado entre grupos separatistas pró-Rússia, contra as forças armadas ucranianas, na região do Donbass, no Leste.

o país de Zelensky entenda que a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 configura uma violação a um acordo que daria garantias de segurança e independência à Ucrânia.

A disputa na região do extremo leste da Ucrânia tem feito parte da vida de Maxym. Ele esteve lá em 2015, onde trabalhou durante um ano como operadora de metralhadora na região de Lugansk.

Eu o conheci em Lviv, onde atuava como instrutor militar das forças de defesa territorial do país e temia ataques aéreos. Depois disso, o soldado aumentou ao campo de batalha, onde dessa vez foi líder de pelotão.

Maxym teve de voltar a Lviv por causa de uma lesão nas costas Ele conta que a vida na linha de frente se resume, em grande parte, a cavar trincheiras. Diz ainda que poderia até ser como uma vida no campo, com o agravante de que há ataques constantes vindos do ar e do chão, com tanques.

Para ele, as maiores dificuldades que os ucranianos enfrentam no momento são as baixas nas tropas, além da falta de comandantes experientes e de armas especializadas.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia estão com dificuldade de produzir material de guerra, na opinião do professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit.

“Se fala até que o governo russo estaria libertando alguns presos com capacidade de operar maquinário pra começar a trabalharem nessas empresas”.

Do lado da Ucrânia, a dependência do ocidente só aumenta. “A Ucrânia acabou. Justamente a região mais industrializada da Ucrânia é a que foi invadida em 2014. Então a Ucrânia tá completamente dependente do Ocidente. E o Ocidente tá tendo problemas pra manter a linha de fornecimento”, diz.

Os países do Ocidente têm reforçado a defesa ucraniana de diferentes maneiras. A Força Aérea Britânica, por exemplo, vem treinando pilotos ucranianos. Além disso, países como o próprio Reino Unido, além dos Estados Unidos e a Alemanha ofereceram tanques a Zelensky, e vem reforçando apelos a outros líderes mundiais.

No final de janeiro, por exemplo, em visita oficial ao Brasilo chanceler alemão Olaf Scholz pediu que o Brasil doasse munições de um dos modelos de tanque Leopard I, que a Alemanha pretendia doar à Ucrânia.

Após o encontro no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o Brasil não tem interesse em enviar as munições. O presidente ainda afirmou que o Brasil “é da paz” e “não quer ter participação, mesmo indireta”.

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A invasão trouxa de volta também o temor de uma guerra nuclear.

Após diferentes ameaças russas de usar a capacidade nuclear do país, o presidente russo suspendeu a participação do país no tratado mais recente de controle de armas químicas que existiam com os estados unidos. Um ano após a invasão, o mundo ainda teme que a guerra saia do chão.

Para Ruzit, o cenário atual lembra a Primeira Guerra Mundialpor ser uma guerra de atrito, artilharia e trincheira.

“Só foi rompido na primeira guerra mundial, quando os primeiros tanques entraram na batalha”, disse.

Mas as batalhas não acontecem só nas trincheiras. Existe também um combate de narrativas na chamada guerra da informação.

Na Ucrânia, por exemplo, é comum ver cartazes que ironizam o governo russo e elogiam o próprio exército. Já a Rússia usa a mídia estatal para fortalecer os objetivos da chamada “operação militar especial”.

O uso da propaganda para manipular controladores e até as forças armadas não é de hoje. A novidade é que com o acesso cada vez mais amplo à internet, essa é possivelmente uma guerra entre estados que tem o uso mais intenso das redes sociais para propagar desinformação.

Para a professora do departamento de Relações Internacionais da PUC/MG, nunca foi tão difícil entender a partir de que informação é possível obter conhecimento sobre a guerra.

“É um paradoxo entre a desinformação e a pouca informação, que vem de uma realidade onde há muita informação”, disse.

A desinformação tem contribuído para a destruição de famílias. A ucraniana Oksana, por exemplo, rompeu laços com parentes na Rússia.

“Fomos dormir no dia vinte e três como pessoas normais e acordamos como nazistas”.

O sentimento de indignação também é sentido por Nathalie, que vive em Odessa, um dos pontos mais cobiçados pelo exército russo, por causa do porto. No dia a dia, ela acompanha profissionais de imprensa. E conta que lidar com as notícias falsas tem sido um dos principais desafios.

“Algumas vezes vejo o que os russos estão escrevendo e canais de Telegram, e eu não consigo ler muito, porque há muita loucura sobre a chamada gloriosa Rússia, essa operação militar especial”.

Ao longo de um ano de realidades militares distintas e narrativas que mudam rapidamente, o normal parece cada vez mais distante.

“Só queremos morar na nossa terra, em paz, sem continuar na nossa política, economia, vida cultural, língua, história”, diz um jornalista.

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