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Corina Yoris diz à CNN que fala de Lula sobre eleições na Venezuela tem peso no processo

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Corina Yoris, oposicionista venezuelana que teve uma candidatura para as eleições presidenciais barrada, disse, em entrevista exclusiva à CNN neste sábado (30), que ficou emocionado com o pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o processo eleitoral da Venezuela.

Segundo Yoris, as declarações do presidente brasileiro têm peso no boato do processo eleitoral venezuelano.

Lula afirmou, na quinta-feira (28), que é grave que Yoris não tenha conseguido completar a inscrição como candidata nas eleições. O Itamaraty também publicou uma nota sobre a situação, a qual o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela classificado como “cinzenta e intervencionista”.

Yoris apontou que viu as declarações do chefe do Estado brasileiro, feitas ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, como uma sinalização de que a oposição venezuelana não está no caminho errado. Ela destacou que as palavras de Lula “provocaram muita emoção”.

“Quando eu vi [a declaração de Lula], eu disse 'maravilhoso', porque isso significa que não estamos errados no que estamos fazendo, que todo mundo está vendendo. Não só nós, que estamos aqui, mas as pessoas de fora também estão vendo o que está apostando. E isso é para se agradecer”, afirmou.

“Eu me emocionei, disse 'menos mal, menos mal que alguém como Lula diz isso'. Independente das críticas que fazem ao Lula no Brasil, eu não posso me medir na política brasileira, Lula é um presidente eleito com eleições limpas”, ressaltou.

“Então, para além de todas as discussões que possam haver, ele é um presidente legítimo do Brasil. Temos aqui um regime que está sendo questionado inclusivo pela região, é muito diferente”, destacou Yoris na entrevista à CNN.

Ela também apontou que o posicionamento do presidente brasileiro foi “muito importante”, e lembrou que agradeceu a ele, ao colombiano Gustavo Petro e a Macron pelas declarações relacionadas ao processo eleitoral venezuelano.

“Agradeci através das redes [sociais], Maria Corina [Machado] publicou um texto bastante longo, eu retuitei e disse que me unia a esse agradecimento aos três presidentes”, comentou.

Corina Yoris lembrou que a resposta do governo Maduro ao comunicado do Itamaraty, que afirmava que o impedimento de que uma candidatura que não é alvo de processos judiciais se inscrever no pleito não era compatível com o Acordo de Barbados, foi “insolente”.

O Acordo de Barbados, assinado no final do ano passado, derivou de uma negociação mediada pela Noruega e facilitada por outros países, incluindo o Brasil, para que houvesse garantias na Venezuela para eleições livres e transparentes.

O entendimento incluiu a libertação de pessoas privadas da liberdade que eram consideradas presas políticas e no fim de avaliações por parte dos Estados Unidos.

Na entrevista à CNN, Yoris disse que apoiar o “regime” venezuelano não convém para os países da região, como Brasil e Colômbia, quando estes são e podem ser afetados por um problema tão grave como uma diáspora.

“Quem são os afetados pela diáspora [venezuelana]?”, diz, referindo-se a países como Brasil, Colômbia, Equador e Chile, que recebem um grande número de migrantes venezuelanos.

“Os países falam disso porque também se transformaram em um problema para eles. Temos sete, oito milhões de venezuelanos fora do país. Tem gente em praticamente todo o mundo, mas as porcentagens altíssimas são em países latino-americanos, é um problema da região”, avaliou Yoris.

“É a região o que quer é: voltamos ao caminho democrático. A característica da democracia? É a votação. Então se isso não é respeitado, você não está respeitando o que você define como democracia”, concluiu o opositor.

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