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CNN no Plural+: Invisível aos olhos da própria comunidade

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Quantos amigos assumidamente bissexuais você tem?

Eu preciso pensar muito para chegar à conclusão que nenhum. E olha eu conhece gente.

Será que não sei por que não? Ou será que não se perguntará que nem me passa pela cabeça que alguém do meu círculo seja bissexual?

Logo porque eu quero enquadrar qualquer um em uma caixa: ou a pessoa é gay, ou é lésbica, ou tem a identidade de gênero trans, e todas as letras de LGBTQIAP+.

Ops? E o B é de que? Acorde! Porque é cansativo para quem se declara bissexual ter que ficar provando qualquer coisa.

isso, além de preconceitos, é possível. E principalmente para quem tem a sua orientação de gênero questionada a todo momento.

E é por isso que no dia 23 de setembro se marca o Dia da Visibilidade Bissexual, para que principalmente a comunidade se conscientize e não questione essa orientação sexual. Para que as pessoas bissexuais sejam vistas e reconhecidas como tal.

E pra coluna da CNN no Plural+ também contribuirá com esses dados tão importantes, a matéria vez que vai ser diferente.

UMA GLAADuma das maiores ONGs do mundo focadas na luta pelos diretos LGBTQIAP+, foi atrumas de mitos que pessoas bbssexuais acabam ouvindo todos os dias. Frases que chocam pela ignorância.

E como aqui é um espaço para quem tem local de fala, convidamos a atriz Ana Hikari o influenciador Klébio Damas, ambos bissexuais, para comentar essas mitos. Dar escuta a quem tem lugar de fala.

A atriz Ana Hikari e o influenciador Klébio Damas / Redes sociais

A bissexualidade é apenas uma fase antes de alguém se assumir gay ou lésbica”

AnaNão tem como ser uma fase, é o que a gente é por inteiro, todos os dias da nossa vida, não é um momento.

Klébio – Era muito comum antigamente a galera fazer isso: falou que era bissexual e depois se entendia enquanto gay ou enquanto lésbica porque na cabeça de algumas bi é menos gay. Só que isso é completamente errado e completamente equivocado. Pessoas bi, ser bissexual não é uma sexualidade transitória, é uma orientação de gênero em si mesma.

“É mais socialmente aceito uma mulher bissexual do que um homem bissexual”

Ana- Quando a mulher beija homens, mas os homens beijam também mulheres, é que muitos homens acham atraentes, atraentes. E na verdade isso é um retrato de uma hipersexualização da mulher, né? Então talvez diga que seja mais aceito não seja o mais correto, mas talvez diga que tem mais gente que curte porque tem isso daí para a sexualização da nossa orientação.

Klébio – Existem visões e parâmetros diferentes, porque uma mulher bissexual, ela também é muito fetichizada num outro lugar. Já o homem bissexual é muito questionado, porque existe toda uma sociedade machista que acredita que todos os homens bissexuais na verdade são homens gays que ainda não assumem a orientação sexual, sendo que não é assim.

“Ninguém pode se identificar como bissexual a menos que tenha tido um relacionamento com um homem e uma mulher.”

Ana- Não é não é a quantidade de saliva que a gente troca que define a nossa orientação sexual. É o que a gente é, o que a gente sente que define quem a gente é.

Klébio – Vamos suporte que você seja hetero. Quando você era adolescente, você sabia que você era hetero. Você já tinha conhecido com uma menina e com um menino testar? Não. Mas você sentiu aquela pessoa, sabe? Você apenas sente, você apenas sabe. E ter que ficar reforçando isso é uma coisa muito chata.

“Bissexualidade é uma justificativa para promiscuidade”

Ana Aí eu dou risada… mas não é para rir, né? É dramática esta informação. Não é porque uma pessoa tem a possibilidade de beijar pessoas de dois ou mais gêneros que significa que ela vai beijar todas as pessoas do mundo, né? Bissexualidade não é de promiscuidade Pode ser que haja pessoas bissexuais que gostem da cachorrada e tá tudo bem – mas também tem outros heterossexuais que são da cachorrada também e as pessoas não falam isso, né?

Klébio – Por muito tempo a bissexualidade foi relacionado à promiscuidade, só que assim gente… não dá. É uma coisa completamente pejorativa, completamente errada.

“Uma pessoa só é bi se gostar de homens e mulheres na mesma medida”

Ana- Se tiver uma medida no termômetro de “Ai, hoje eu estou tantos % gostando de homem e tantos % gostando de mulher”.. A verdade é que não existe uma quantidade, não existe um parâmetro correto e ideal para você definir uma bissexualidade.

Klébio – Claro que não. Você não precisa de uma balada e dois homens e duas mulheres para ser bissexual, por exemplo! Gostar de gêneros diferentes é muito mais fácil. A gente só não tem que tentar colocar tanta barreira e tanta caixinha, sabe? É só você sentir, gostar e seguir sua vida.

“Bissexuais são transfóbicos. A palavra bissexual é necessariamente um termo binário, que se refere a homens e mulheres”

Ana- Tem muita gente também que acha que sentir bissexualidade é só sentir por dois gêneros. Ou seja, que seria uma orientação sexual completamente binarista, é uma verdade isso. A bissexualidade não é só sobre gêneros, é sobre sentir dois ou mais gêneros. A gente já tem conhecimento suficiente hoje em dia de que existe uma pluralidade de identidades de gênero, e eu acho que a bissexualidade também tá aí para a gente poder aceitar todos os corpos e assim como a gente pede para que nos aceitem.

Klébio A bissexualidade não é transfóbica. Mesmo que uma pessoa goste apenas de homens e mulheres nesse binário, ela também pode gostar de homens espectros trans, mulheres trans e tá tudo certo! Não é uma coisa excludente, sabe? Quando as pessoas falam sobre a panssexualidade, vão um pouco além de apenas homem e mulher, então elas não têm binárias e outras camadas que entram – mas não são situações excludentes.

“Bissexuais têm sua sexualidade questionada por pessoas dentro e fora da comunidade LGBTQIA+”

Ana UMA gente tem a nossa sexualidade questionada por todos os lados, tanto dentro quanto fora da comunidade. E, infelizmente, isso acontece porque a bissexualidade é uma orientação sexual que foi suprimida e que passou por uma invisibilidadeção e ainda passa até hoje. A gente e o nome que é bom falar, mais sobre essa questão, porque eu acho que são tantas identidades, que eu acho que a gente é: debater e respeitar.

Klébio – Sim, porque fora da comunidade, você é visto muito como um gay enrustido. E dentro da também, as pessoas querem te provar isso o tempo todo, porque eu como muitas pessoas lá atrás falaram que eram bissexuais para depois se entenderem enquanto gay ou lésbica, enquanto muita gente que acha que isso é uma regra, que com todo mundo vai acontecer isso. Mas não é assim que funciona, não é uma sexualidade passageira. Você apenas é.

  • Produção: Letícia Brito e Carol Raciunas

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